Na Montanha

MATÉRIA DA REVISTA A+ DO JORNAL LANCE

PAULO COELHO ESCALA O CHO OYU E ENTRA PARA A LISTA DOS BRASILEIROS EM “OITO MIL”

por Luciana de Oliveira 10/10/03 – 10h53

Aos 51 anos e sem usar oxigênio suplementar, o alpinista Paulo Coelho alcançou no último dia 27 o cume do Cho Oyu (8.201m), na região do Himalaia, tornando-se um dos poucos brasileiros que conseguiram chegar ao cume de alguma das 14 montanhas do mundo com mais de 8 mil metros. Além dele, a seleta lista inclui Sérgio Beck (Cho Oyu), Mozart Catão (Everest), Irivan Burda (Lhotse) e Waldemar Niclevicz (Everest, K2, Lhotse, Cho Oyu, Shishapangma e Gasherbrum).

Paulo é alpinista há mais de 30 anos e já havia tentado outras vezes escalar um “oito mil”, entre eles o próprio Cho Oyu e o Everest (8.848m) onde, em 1999, ao lado da esposa Helena, ajudou a tirar da montanha um alpinista português que teve partes do corpo congeladas.

Um cume peculiar – No começo de setembro, o casal viajou novamente para o Cho Oyu, onde já havia estado em 2000. No trabalho de aclimatação, eles estiveram nos acampamentos-base avançado (5.800m) e montaram outros três acampamentos montanha acima (a 6.300m, 7.100m e 7.350m respectivamente). No dia 22 de setembro, saíram para o cume. O tempo piorou quando chegaram nas proximidades dele. “Uma característica do Cho Oyu é que o cume não é aquele tradicional, destacado. É um platô, com pequenas elevações”, explica Paulo. “Para dizer que fez o cume você precisa chegar até um certo ponto com uma pequena elevação onde se consegue avistar o Everest.”

Nova chance – Retornando ao acampamento 2, os planos eram de aguardar o tempo melhorar e tentar o cume novamente. Quatro dias depois, com a previsão de tempo bom, Helena teve de descer porque apresentava tosse durante a noite e um pouco de falta de sensibilidade na mão devido ao frio na primeira tentativa. Ela aproveitou para desmontar os acampamentos. E Paulo partiu para a segunda tentativa de cume.

“Dei a sorte de pegar um dia limpo. É a tal da janela”, conta ele. “Cheguei ao platô com toda a visibilidade e tive o privilégio de alcançar o cume (às 10h) e desfrutar de uma vista espetacular. É possível ver as duas faces do Everest, além do Lhotse. Deu vontade de ajoelhar e agradecer a Deus por poder curtir aquela vista”, descreveu.

Na raça – A façanha de Paulo foi obtida sem patrocínio. Para ir ao Cho Oyu no “estilo” deles, ou seja, sem usar garrafas de oxigênio nem contar com a ajuda de sherpas, ele e Helena gastaram com a viagem e a taxa de permissão para escalar – dividida com outro grupo – algo em torno de 7 mil dólares, sem contar com os equipamentos. Para ir ao Everest, pelo lado do Tibet, que é mais barato do que o lado nepalês, eles dizem que teriam de gastar o dobro, no mínimo.

Fonte : Webventure

http://www.zone.com.br/

Federação dá dicas para levar atletas radicais as alturas

Femesp procura incentivar adoção de código e formação de voluntários ecológicos.


Apesar de estar muito distante da montanha, a Vila Madalena passou a contar, desde setembro, com uma organização para congregar os amantes dos esportes alpinos. A Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo (Femesp) tem por objetivo orientar os clubes de montanhistas para alcançar um padrão de qualidade próximo à de seus congêneres europeus e americanos.

Formada por integrantes de três clubes de Montanhismo, Centro Excursionista Universitário (CEU), Clube Alpino Paulista (CAP) e pelo Clube de Montanhismo Serra da Mantiqueira (CMSM), a Federação, dirigida por Silvério José Nery Cilio, é composta por 500 integrantes.

Com o propósito de ser reconhecida como uma entidade especializada no assunto, a federação pretende homologar cursos oferecidos por outras entidades de proteção e orientação sobre montanhismo, técnico e esportivo, com base no código de ética. “A nossa idéia é criar uma espécie de selo de qualidade dos cursos, criando critérios para que eles sejam reconhecidos”, explicou Cilio.

De acordo com o presidente da Femesp, outra proposta da federação é criar, a exemplo da Europa, a figura do voluntário, que se encarregará de proteger reservas ambientais e parques. “Esse tipo de atividade é comum em outros países, mas completamente desconhecida no Brasil, onde tudo ainda é meio bagunçado”, afirma. Na capital, os filiados à federação praticam montanhismo no Pico do Jaraguá, na zona oeste. A Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, e o Morro do Cuscuzeiro, em Cruzeiro, são outros lugares freqüentados pelos montanhistas.

A entidade organizou a campanha Adote uma Montanha que tem como meta ajudar na melhoria e na conservação de trilhas em paraísos ecológicos. A atividade se divide em três etapas. A primeira foi no dia 13 de abril, quando os participantes formaram grupos e fizeram um mutirão de limpeza no local escolhido. Cada atividade realizada era anotada em um relatório. A segunda etapa ocorre no dia 22 de setembro e a última, em 13 de abril de 2003, completando assim, um ano de conservação da natureza.

Reconhecimento – A campanha já foi reconhecida pela agência organizadora do Ano Internacional das Montanhas (IYM) e faz parte do calendário oficial de eventos da entidade. Até o momento, este é o único evento do Brasil a figurar no calendário oficial. A taxa semestral para se associar à federação é de R$ 40,00. Mais informações podem ser obtidas pelo correio, no endereço da Rua Afonso José de Carvalho, 140, Vila Madalena, CEP 05451-000 ou pelo site www.femesp.org

Cem jovens limparam o Pico do Jaraguá

Mesmo com o tempo marcado por uma garoa fina e neblina e os termômetros registrando 9ºC, cerca de cem voluntários participaram de um mutirão de limpeza das encostas e trilhas do Parque Estadual do Jaraguá, na zona oeste da capital, para comemorar o Ano Internacional das Montanhas.

Munidos de sacos de lixo, integrantes do Clube Alpino Paulista (CAP) e estagiários do curso de Turismo do Centro Universitário Nove de Julho foram divididos em três equipes e encaminhados para locais com maior concentração de lixo no parque.

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