Na Montanha

Histórico

Por volta de 500AC, Pitágoras já aventava a hipótese da terra ser redonda. Os filósofos gregos argumentavam que, se a terra era redonda, deveria conter uma grande massa de terra em sua base para contrabalançar as terras conhecidas do norte. Ptolomeu da Alexandria, em 150DC, em seu livro “A Geografia”, falava dessa massa de terra na base do planeta, denominando-a “Terra Australis Incógnita”.

Em 1498 apareceu, na Alemanha, um mapa onde a “Terra Australis Incógnita” era unida à África. Em 1570, outro mapa apareceu em Antuérpia, onde o Continente era ligado à América do Sul; após a viagem de Drake, em 1577, ela passou a ser representada unida à Austrália. Em 1620, holandeses navegaram ao sul da Austrália e, a partir de então, ficou provado que ela não estava ligada a nenhum continente conhecido. Várias viagens foram feitas com aproximação cada vez maior da região antártica, dentre elas a de James Cook que, em 1772, chegou às Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul; em 1819, um inglês, William Smith, avistou as Ilhas Shetland do Sul e relatou sobre a quantidade de focas e baleias encontradas, o que atraiu uma infinidade de gente interessada em auferir lucros com a gordura animal. Foi um caçador de baleias e focas, o americano Nathaniel Palmer, quem conseguiu avistar, ainda em 1820, o Continente Antártico pela primeira vez. Nesse mesmo ano, expedições de Bellingshausen e Bransfield também avistaram o Continente. Pelo fato de os caçadores de focas e baleias continuarem avistando terras, aumentou-se a suspeita de que se havia, finalmente, descoberto o Continente Antártico, o que foi confirmado com as expedições que os ingleses, americanos e franceses enviaram com o propósito de realizar investigações científicas e penetrar, o mais possível, para o sul; expedições desses países, juntamente com as de russos, belgas e noruegueses, continuaram por todo o século XIX.

No século XX, intensificou-se ainda mais essa penetração até que, em 14 de dezembro de 1911,Roald Amundsen fincou a bandeira norueguesa no Polo Sul. Terminada essa fase de conquista da Antártica, não cessaram as investigações científicas no continente e, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha enviou, em 1943, uma expedição para a instalação de estações meteorológicas na Península Antártica (Graham). Em 1942, os alemães se serviram das Ilhas Kerguelén como posto de reabastecimento de um navio corsário, o Pingüim, que já havia tomado mais de 136 mil toneladas de cargas aliadas quando foi afundado.

Entre 1939 e 1941, os Estados Unidos começaram a ocupar, permanentemente, suas bases, usadas anteriormente por expedições de caráter científico-estratégico. Em dezembro de 1946, os Estados Unidos organizaram a maior expedição já enviada à Antártica – Operação “HIGHJUMP”. Era chefiada pelo Almirante Byrd, que havia sobrevoado o Polo Sul em vôo pioneiro em 1928, composta por 4700 homens, dos quais 1600 tomaram parte nas investigações científicas, em 9 navios, 1 quebra-gelo, 1 submarino, helicópteros e aviões e conseguiram realizar descobertas científicas bastante importantes e deram, também, a maior demonstração de força na região.

Durante os anos 50 e 60, diversos países instalaram estações científicas permanentes com o propósito de estudar o Continente. Desde então, e após a proibição da caça à baleia e focas, os antigos exploradores têm sido substituídos por cientistas que incorporam uma parcela de seu espírito aventureiro e desbravador, promovendo investigações científicas que proporcionam maior conhecimento dos fenômenos que lá ocorrem e sua influência global.