Na Montanha

Aspectos Ambientais

A Ilha Rei George pertence ao Arquipélago Shetlands do Sul, localizada a leste da península Antártica, a uma distância de 70 milhas (130Km). Essa ilha possui mais de 95% de sua superfície permanentemente coberta de gelo. Ao longo das praias próximas à Estação, formadas principalmente de pedras e sedimentos de origem vulcânica, podem ser observados vários ossos de baleia, fruto do período de caça a esse cetáceo na região.

Inúmeros animais, principalmente no verão, fazem da Baía do Almirantado o seu habitat, como várias espécies de focas, pingüins e pássaros. Musgos e liquens, alguns com 600 anos de existência, afloram no verão em algumas áreas rochosas, após o derretimento da neve e do gelo. A temperatura absoluta, no verão, varia normalmente de -5°C a +4°C, podendo atingir -30°C no inverno. O vento, entretanto, faz a sensação térmica alcançar valores bem mais baixos. É comum, na região, os ventos ultrapassarem os 100 Km/h.

De setembro a novembro, os animais que migram para as regiões mais quentes no período do inverno começam a retornar. É também a época de procriação das focas. Sobretudo em dezembro e janeiro, pode-se observar, com certa freqüência, na Baía do Almirantado, em frente à Estação a presença de algumas baleias. No inverno, a Estação fica praticamente encoberta pela neve e muitas vezes tem-se que sair pelos alçapões situados no teto, devido ao bloqueio das portas, externamente, pelo gelo e a neve.

No verão, a luminosidade faz-se presente durante quase todo dia, com o dia mais longo (Solstício de Verão) ocorrendo no dia 22 de dezembro. À medida que se aproxima a noite mais longa, dia 21 de junho (Solstício de Inverno) ocorre o contrário, tem-se apenas cerca de seis horas de relativa claridade. Há que se ter uma certa disciplina quanto aos horários, a fim de evitar que o ritmo biológico sofra alterações apreciáveis. Atualmente, o ambiente, a fauna e flora terrestres da Antártica são as estruturas menos modificadas, sob o ponto de vista ecológico, de toda a superfície da Terra.

Os ecossistemas terrestres antárticos são caracterizados pela descontinuidade, por condições ambientais inóspitas, pela baixa diversidade de espécies e por taxas de crescimento muito lentas. Além disso, possuem pouca capacidade de absorver as mudanças ambientais sem que sejam profundamente alterados mas, em contrapartida, os ecossistemas marinhos são contínuos.

Fruto do Protocolo ao Tratado da Antártica sobre Proteção do Meio Ambiente, conhecido como Protocolo de Madri, aprovado em 1991, é exigido que todas as atividades a serem desenvolvidas na área do Continente Branco, tanto científicas quanto logísticas sejam submetidas a uma Avaliação de Impacto Ambiental (EIA), antes de sua implementação. Esse procedimento assegura que as atividades sejam feitas evitando ao máximo os impactos ao meio ambiente antártico e ecossistemas dependentes e associados.

Com o objetivo de aumentar a proteção ambiental na Antártica, uma série de providências foram tomadas, ao longo do tempo, pela EACF e pelo PROANTAR. São elas:

a. Colocação de Paredes Duplas nos Tanques de Óleo Combustível

Com o propósito de reduzir os riscos de vazamentos foi realizada a substituição dos tanques de parede simples existentes, por tanques de paredes duplas, confeccionados pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Por ocasião da colocação das paredes duplas nos tanques, também foram substituídas as válvulas de recebimento e transferencia de óleo, tendo sido colocadas válvulas de fechamento rápido.

Para melhorar a eficiência, os mangotes de recebimento de óleo foram substituídos por mangotes de encaixe rápido.

b. Colocação de Duplo Fundo nas Chatas de Óleo

Sempre visando reduzir os riscos de vazamento de óleo as chatas de óleo sofreram alterações estruturais com a colocação de duplo fundo na região dos tanques e substituição das válvulas de redes, de maneira que, caso haja avaria, não venham a afetar o meio ambiente antártico.

c. Substituição do Sistema de Esgoto da EACF

Durante o verão austral de 95/96, foi efetuada a substituição do sistema de esgoto da EACF. O atual sistema separa as águas negras, oriundas de sanitários, das águas cinzentas, oriundas de chuveiros e lavatórios, seguindo caminhos diferentes.

As águas negras coletadas, após sofrerem um tratamento primário, são encaminhadas para filtros anaeróbios, onde sofrem um tratamento secundário. Nos filtros anaeróbios, as águas servidas são novamente depuradas e seguem por valas de filtração.

O sistema de tratamento das águas cinzentas coleta as águas servidas, oriundas dos chuveiros e lavatórios, e as encaminha para uma caixa detentora de matéria sólida. Após a caixa detentora, as águas cinzentas passam por filtros anaeróbios e valas de filtração, independentes dos filtros e das valas de águas negras. O efluente final, das águas negras e cinzentas, será encaminhado, através de tubulações, até a linha da praia na baixa-mar.

O sistema possui quatro fossas sépticas, dois filtros anaeróbios, duas caixas de gordura e duas caixas interceptadoras. A fim evitar congelamento das redes e das fossas, foram instaladas cintas térmicas ao longo das redes e nas fossas sépticas.

d. Existência de Filtros Oxicatalizadores na descarga dos Motores-Geradores

Na Estação Antártica Comandante Ferraz existem cinco grupos motores-geradores capazes de gerar 480 Kw de energia.

Todos os motores-geradores possuem, na saída da descarga dos gases, um filtro oxicatalizador capaz de reduzir em até 95% do monóxido de carbono, 90% de fuligem, 85% dos formaldeídos, até 10% de óxido nitrogenado, 50% da intensidade do ruído e sem aumento da quantidade de dióxido de carbono (NO2).

e. O Incinerador e a Sistemática de Tratamento de Lixo

A queima de lixo é realizada, semanalmente, em incinerador dotado de filtro antipoluente, com monitoramento constante da emissão de gases.

Este equipamento tem como princípio de incineração, um sofisticado processo chamado PIRÓLISE, que trabalha numa temperatura mais baixa que a combustão normal, entre 450º e 650ºC, sob uma atmosfera reduzida, dificultando a geração de dioxinas, halogênios e furanos, e reduzindo, drasticamente, os fatores que provocam a oxidação dos metais pesados dos resíduos.

Deste processo, resultam cinzas de baixo volume e inertes, que podem ser depositadas em aterros normais sem causar impacto ao meio ambiente. As cinzas recolhidas foram analisadas em laboratório, constatando-se que realmente são inertes. Mesmo assim, as cinzas são embaladas e transportadas para o Brasil.

Com relação ao tratamento do lixo, a coletada é feita seletivamente: lixo orgânico, latas e metais, vidros, plásticos e PVC, papéis e papelões.

O lixo orgânico é queimado no incinerador da EACF e, em seguida, os resíduos são colocados em caixas plásticas para transporte para o Brasil.

Os metais e latas são compactados e embalados em sacos plásticos, tendo o mesmo destino dos resíduos.

Os papéis, papelões, vidros, plásticos e PVC também retornam ao Brasil, para reciclagem.

Periodicamente, é feito um mutirão para limpar a área em volta da Estação, numa operação conhecida como “pente fino”, envolve todos os integrantes das equipes que guarnecem a EACF (militares, pesquisadores e técnicos).