Na Montanha

O Brasil na Antártica

Uma das exigências para a participação de um país como Parte Consultiva do Tratado da Antártica é a realização de substanciais atividades científicas naquela região.

Assim, o PROANTAR deu início às pesquisas brasileiras durante a Operação Antártica I, realizada a bordo do NApOc Barão de Teffé, da Marinha do Brasil, e do Noc Professor W. Besnard, da Universidade de São Paulo, no verão austral de 1982/83. A 12 de setembro de 1983, o Brasil foi admitido como Membro Consultivo do Tratado da Antártica. Cabe à Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, coordenada pelo Ministro da Marinha, a condução do PROANTAR, que conta com uma Secretaria, a SECIRM, para a execução das atividades administrativas de gerência do programa. A SECIRM coordena a Subcomissão para o PROANTAR, que conta com 3 grupos que a auxiliam em suas deliberações: o Grupo de Assessoramento (GA) que recebe, avalia o mérito científico e sugere ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão financiador, a aprovação dos projetos de pesquisas para cada Operação Antártica; o Grupo de Operações (GO) funcionando na SECIRM, que verifica a exequibilidade das proposta selecionadas pelo GA, planeja a operação do navio e vôos de apoio, compatibilizando os interesses científicos com as necessidades de apoio logístico decorrentes; e o Grupo de Avaliação Ambiental (GAAm), que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, que tem o propósito de avaliar o impacto ambiental das atividades científicas e de apoio logístico a serem desenvolvidas em cada Operação Antártica. As atividades brasileiras na Antártica são desenvolvidas na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), em três refúgios localizados nas Ilhas Elefante, Nelson e Rei George e a bordo do Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel, que substituiu o Barão de Teffé. A EACF foi instalada, em 6 de fevereiro de 1984, na Baía do Almirantado, Ilha Rei George, Arquipélago das Shetlands do Sul, e marca a presença brasileira na Antártica. Hoje, ela conta com mais de sessenta módulos, compreendendo laboratórios, oficinas, enfermaria, lavanderia, cozinha, sala de estar, sala de vídeo, camarotes e um pequeno ginásio de esportes.

A estação pode acomodar até 46 pessoas: 24 pesquisadores; 12 funcionários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), que executam a manutenção das instalações e equipamentos; e um Grupo Base de 10 militares da Marinha do Brasil, responsável pela operação da EACF. Os refúgios são construções tipo “containers” e podem abrigar até seis pesquisadores durante o verão. NApOc Ary Rongel foi adquirido em março de 1994, pode operar com dois helicópteros de pequeno porte, é dotado de laboratórios para pesquisa nas áreas de Meteorologia e Oceanografia Física e Biológica, e pode acomodar até 27 pesquisadores. As atividades logísticas contam com o apoio da Estação de Apoio Antártico (ESANTAR), localizada na Fundação Universidade do Rio Grande, que promove o abastecimento da EACF, refúgios e acampamentos, como também o apoio à manutenção do material de campo necessário às operações. Complementando o esforço brasileiro na Antártica, a Força Aérea Brasileira realiza sete vôos de apoio, possibilitando a troca de pesquisadores e o apoio logístico à EACF durante o inverno e o Ministério das Minas e Energia, por meio da PETROBRAS, fornece o combustível necessário à condução das Operações Antártica.

As atividades científicas do PROANTAR estão agrupadas em Subprogramas de Ciências da Atmosfera, Solar e Terrestre, da Terra e da Vida , compreendendo as seguintes áreas de conhecimento: Circulação Atmosférica; Física da Alta Atmosfera; Climatologia; Meteorologia; Geologia Continental e Marinha; Glaciologia; Oceanografia; Biologia; Ecologia; Astrofísica; Geomagnetismo; e Geofísica Nuclear.