O CAP felicita a FEMERJ pelo seu sétimo aniversário

Femerj completa sete anos (29/08/07)
Por Bernardo Collares Arantes

Nesta quarta-feira a Femerj (Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janiro) completa sete anos de existência. Fruto da primeira federação de montanhismo do Brasil, a Femerj fez história e abriu caminho para diversas outras instituições no país. No texto, o atual presidente da instituição, Bernardo Collares Arantes, escreve sobre a comemoração, além de organização do montanhismo brasileiro e a importância do trabalho “invisível” das Federações.

As tentativas de organização do montanhismo no Brasil não são um fenômeno tão recente. Além de ter o primeiro clube de montanhismo da América Latina, houve durante a história – principalmente a partir da década de 40 – a fundação e extinção de dezenas de clubes em diversos lugares do país. Eles atuavam em pontos específicos quando necessário, como na campanha para compra das terras da antiga Fazenda Garrafão, que abrangia o Vale do Rio Soberbo, o que possibilitou a criação do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ). Algumas reuniões entre estes clubes ocorriam isoladamente, como o I Encontro Nacional de Clubes Excursionistas, organizado por um clube de Alegre (ES), próximo à Serra do Caparaó, há mais de 40 anos.

A primeira instituição oficial de representação do montanhismo foi a União Brasileira de Excursionismo (UBE), fundada em 1944 pelo governo federal e dirigida por montanhistas do Rio. Depois disso, os clubes do Rio viriam a criar em 1968 a Federação Carioca de Montanhismo (FCM), que logo se tornou estadual (FMERJ). A FMERJ foi de fato a primeira federação do Brasil, e unificou a avaliação e diplomação de guias de montanha no Estado do Rio (as escolas de guias dos clubes vinham formando e avaliando seus guias individualmente desde o fim da década de 30), além de descrever o sistema de graduação de escaladas brasileiro. Sua extinção ocorreu no início da década de 80.

Somente no meio dos anos 90 os clubes voltaram a se reunir em1996 foi criada a Interclubes, um fórum informal que se reunia mensalmente para tentar resolver problemas comuns a todos os montanhistas, num momento em que o direito autoral estava sendo questionado e assim corríamos o risco de termos o caos, onde cada um poderia fazer o que quisesse na vias alheias – tinha gente colando e cavando agarras artificiais na rocha. Além de se propor a restabelecer a ética, a interclubes apresentava uma novidade: pela primeira vez as escolas de escalada se faziam representar. Esta união entre profissionais e amadores, congregando escolas, clubes e montanhistas independentes frutificou em 2000, quando se decidiu registrar oficialmente uma federação, a FEMERJ.

Agora, sete anos depois a gente entende melhor muitas coisas e percebe a importância do surgimento das federações e da CBME – Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, pois além de ordenar as questões internas do montanhismo, o que no momento esta relativamente bem tranqüilo e a ética é bem aceita, estamos passando por outro momento único no montanhismo brasileiro, que são as tentativas dos mais diversos personagens externos tentando regulamentar a nossa atividade.

Diante disso poderíamos listar aqui uma série de trabalhos, reuniões e etc que viraram realizações, mas existe um trabalho que não aparece, um trabalho invisível onde as federações se antecipam a esses agentes externos e consegue fazer com que coisas totalmente descabidas não ocorram.

São situações em que felizmente estamos presentes e podemos assim impedir que certas regras tornem impossível a pratica do montanhismo. Vou listar algumas em que a FEMERJ participou.

“Para que tantas vias? Que tal deixar uma de cada grau em cada parque?”

Ou então…… “Que tal 10 vias em cada parque, não entendo porque vocês querem mais”

“Ahh… entendi, então são os grampos que dão segurança para vocês. Assim será necessário nos parques vocês fornecerem um cronograma informando quando será trocado cada grampo, de cada via, e também um laudo técnico para cada grampo”

“Para a pratica da escalada no parque tal será obrigatório os seguintes itens: Prendedor de cabelos, corda extra para caso de emergência, ter sempre uma pessoa na base, etc…”

“Por mim em parques não haveria visitação”

“Escalar é perigoso, temos que fechar ou então somente com guia obrigatório”

“Se poucas pessoas vão, então é melhor fechar”

“Precisamos fazer melhorias nas rotas de escalada”

“Esta ruim, então fecha”

“Quando for conquistar no parque informar quantos grampos irá usar na conquista” … Etc..etc..etc…

Também é muito comum acreditarem em qualquer coisa que digam. Assim, alguém fala que determinada área esta bem ruim. E quando perguntamos se alguém foi lá olhar, a resposta é não. E em 100% dos casos não havia problemas na citada área de escalada, ou quase nenhum.

Mas felizmente estamos sendo consultados nessas questões e, aqui no RJ, a FEMERJ já virou referência, e quando o assunto é montanhismo os órgãos públicos têm buscado a nossa federação.

Para chegarmos a isso foi necessário muito trabalho e já alcançamos esse ponto desejado. Temos agora mais trabalho, pois somos obrigados a comparecer em muitas reuniões semanais.

Assim o momento é de garantirmos a existência do montanhismo tradicional, livre de interferências externas, com liberdade e diversidade de estilos.

Isso mostra a importância da nossa auto-regulamentação, pois ela é nosso cartão de visitas. É com nossa auto-regulamentação que estamos mostrando aos Órgãos Públicos nossa capacidade de organização e auto gestão. Com a fundação do Centro Excursionista Brasileiro em 1912, temos quase um século de montanhismo tradicional organizado.

Seria interessante os montanhistas reconhecerem ainda mais a importância das nossas instituições e darem uma ajuda, que pode ser a mais simples para cada um e que seria de grande importância para o montanhismo nacional…. filiem-se a uma associação de montanhismo, mesmo que seja “somente” pagando as mensalidades. Para continuarmos nessa importante luta precisamos de massa crítica, e hoje (infelizmente) a maioria no Brasil não é filiada.

Na nossa atividade temos várias correntes de pensamento, e temos todo o tipo de “certezas”. Com esses movimentos as pessoas vão percebendo que o trabalho coletivo é mais eficaz do que o individual, e que, muitas vezes, é necessário fazermos concessões, cedermos um pouco aqui e ali, para, desta forma, todos caminharem juntos. O exercício da democracia não é tão fácil, mas é gratificante e certamente produzirá, para as gerações atuais e futuras de montanhistas, frutos da melhor qualidade.

Veja mais em www.femerj.org

Esse texto foi publicado originalmente em www.webventure.com.br

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