CURSO DE METEOROLOGIA DE MONTANHA

Introdução

O meteorologista Daniel C. Zacharias é responsável pelo curso de meteorologia do Clube Alpino Paulista. Aqui ele conta o objetivo do curso e fala da importância desse conhecimento para o sucesso de uma expedição, seja na montanha, ou no mar.

O Curso de Meteorologia de Montanha (CMM) do Clube Alpino Paulista (CAP) surgiu como um complemento técnico para o CBM (Curso Básico de Montanhismo) em 2006 visando atender um dos requisitos obrigatórios na formação dos guias do CAP, com o passar dos anos, o aumento de expedições para altas montanhas (Bolívia, Chile, Peru, etc.) para Patagônia, e o crescimento dos praticantes de esportes à vela (windsurfe, kitesurfe, etc.) levou à expansão do conteúdo do curso, para abranger mais condições de tempo, localidades e atividades, aumentando assim o alcance do curso, antes restrito aos montanhistas, para toda a comunidade outdoor.

Ao completar 10 anos da primeira edição do CMM, o CAP realizou uma reformulação de conteúdo e lança agora uma versão expandida do curso, com o nome de Curso de Meteorologia para Atividades Outdoor, com o objetivo de atender à crescente demanda dos esportistas por novos desafios e novas atividades.

O curso de meteorologia busca capacitar as pessoas para analisarem as previsões do tempo antes e durante as suas atividades, aumentando assim a probabilidade de sucesso das expedições e minimizando o risco das atividades.

Objetivos

O curso busca corrigir os enganos fundamentais sobre a meteorologia, ensinar o funcionamento básico da atmosfera, as diferenças conceituais entre tempo e clima, como é feita e o que esperar de uma previsão do tempo, como se preparar e o que observar durante uma viagem.

Os alunos aprendem durante todo o curso sobre os detalhes da atmosfera e encaram o desafio de olhar para o mundo sob uma ótica diferente, buscando através das pequenas pistas que a natureza nos dá, interpretar as surpresas que nos aguardam.

Assuntos Abordados

O curso aborda os princípios fundamentais da atmosfera, o funcionamento das massas de ar em escala sinótica e planetária, a interpretação das previsões do tempo, o uso dos modelos de previsão, imagens de satélite, radar, leitura de cartas sinóticas, ciclones, frentes frias, brisa marítima, brisa de vale, meteogramas, formação de nuvens, escala Beaufort, previsão do tempo em campo, eventos extremos e situações de risco.

Material

O material de estudo será todo fornecido pelo Clube Alpino Paulista, bem como as instalações para as aulas, a apostila será fornecida digitalmente, e os alunos poderão utiliza-la em meio digital ou impresso.

Os alunos que possuírem relógios ou GPS com barômetros poderão utiliza-los durante o curso, mas não é obrigatório.

Requisitos

O curso de meteorologia vai abranger as atividades outdoor já realizadas pelos alunos presentes na turma, por isso, o requisito necessário para a inscrição é que o aluno seja praticante de, pelo menos, uma atividade outdoor e possua condicionamento físico para caminhadas de até 4-6h de duração.

Carga Horária

O curso possui carga horária de 40 h/aula, divididas em 3 aulas e 2 saídas, de acordo com o cronograma:

19/set: Aula 1
26/set: Aula 2
29/set: Saída 1 – Ilhabela/SP
03/out: Aula 3
06/out: Saída 2 – Ilha Grande/RJ

Vagas:
O curso possui um total de 15 vagas a serem preenchidas pela ordem de inscrição.

Investimento:
Os valores de inscrição do curso são:
R$ 350 para sócios do CAP
R$ 500 para público em geral

CONTATO: egcap@milkmidia.com

Contexto Histórico

O conhecimento adquirido durante o curso auxilia no planejamento de expedições e aumenta as chances de sucesso nas atividades planejadas. O simples fato de conhecer a diferença entre tempo e clima e saber analisa-los, já evita grandes possibilidades de fracasso e risco à vida.

Uma pessoa com entendimento do clima, jamais pensaria em realizar uma travessia longa de alguma caverna do PETAR, que encha de água em janeiro, ou então realizar uma travessia do Saara sem um bom e quente saco de dormir, pois historicamente, sabe-se que, em janeiro chove muito no SE do Brasil e que no Saara, faz frio durante a noite.

Falou-se de clima, por que não falar também de tempo?

Uma pessoa com entendimento de tempo quando ouve no rádio a previsão dizendo: Temperatura mínima de 0º C e máxima de 38º C, ao invés de amaldiçoar o meteorologista, se prepara para uma noite muito fria e um dia extremamente quente e seco, pois sabe que a temperatura mínima é aquela que ocorre instantes antes do sol nascer, temperatura máxima é aquela que ocorre às 15h e grandes diferenças de temperatura só são possíveis em ambientes muito secos.

No Brasil, em geral, a atmosfera é desprovida de fenômenos capazes de gerar catástrofes (furacões, tornados, nevascas e etc), isso faz com que as pessoas se tornem negligentes ao considerar as condições do tempo no planejamento de suas atividades. Bem recentemente, tivemos o resgate dos meninos nas cavernas da Tailândia, mas já tivemos eventos desse tipo resultando em mortes por afogamento que culminou no fechamento de algumas cavernas do PETAR, ou em grupos de turistas desaparecidos por tromba d’agua na serra do mar.

O curso aborda todas essas questões e conscientiza as pessoas de que o problema não é a ocorrência de fenômenos extremos e sim a falta de cuidado no planejamento da atividade.

Para encerrar, vale lembrar um dos itens mais importantes do Pega-Leve: “Planejamento é fundamental”, pois, sem o planejamento, as chances de sucesso da atividade diminuem muito e riscos aumentam consideravelmente.